August 30, 2011

“No sueltes la soga que me ata a tu alma.”

e me olhavas como um reflexo, espelho criando vida. e parecia que ninguém percebia, tamanha a simplicidade do encontro insólito. e, duvidando – mesmo que por um momento – se não era eu que devia me levantar e te cumprimentar por conseguir estar ali, apesar de tudo. cercado de pessoas que amo, quase deixei de lado minha vontade de continuar acordado. não havia muito mais do que o momento de dizer: sim, eu sei, estou aqui, mas na verdade nem posso ir mais longe do que isso. apenas pretendo: ator canastrão de fala pausada. a pretensão não me cai bem, eu sei bem disso.

(cenário 1: no chão: piso de taco, madeira com cheiro de aconchego. parede: livros, de poeira nova, há pouco devolvidos na prateleira já sem cor)

e parece tarde, nem sei se devo. mas, ei, quem sou eu se não equívoco. até feliz, se posso dizer isto, mas um erro, aquele incômodo, aquela areia no estômago que não cede, não corre, não desfaz. tento destruir tudo ao redor, mas fecho a porta em duas voltas. já passa da meia noite. e eu aqui, resto, controle, tudo o que pode ser um pouco mais. e me exigem tanto menos. sabe, é bonito, aquela simplicidade do rir e vir que poucos entendem. nem sequer entendem a ordem ou modo como é colocada.

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August 17, 2011

era tudo sonho, tenho certeza disso. os cortes de areia na pele, as cores, os nomes. o gosto. aquele gosto agridoce de vontade indecisa. tudo estava lá, cristalino. você saindo do mar, com sorriso de quase cansaço. de sol tão claro que queima a retina. apaga a luz, por favor. as dunas invadiram a estrada, sabia? já ocuparam um lado inteiro da pista. você apaga a luz, me beija a testa e lá se vão meus sonhos. vem o gosto, aquele agridoce, ainda mais forte, quase tangível. isto não importa, eu sei. está tudo bem, sabe? eu só preciso dormir mais um pouco.

e a culpa é de quem, se é que existe culpa…

October 27, 2010

não é saudosismo, entendam. mas eu lembro bem dos anos 90, lembro bem dos shows que aconteciam aqui em Fortaleza. e lembro que o público ia sim pros shows de bandas daqui. até no começo dos anos 2000, quando o pessoal começou um projeto aos domingos numa casa de pagode chamada Boteco Show lá na Bezerra de Menezes, eu lembro que o público ficava acima de 50 pagantes. e olha, com diversos problemas de divulgação e sem os instrumentos que temos hoje, como Twitter e Facebook. lembro que o lançamento do No More Dancing Days, da Dead Poets e Velouria, lotou o Pirata (sim, o Pirata!) em 1998.

corta pros nossos dias. hoje, nem mesmo trazendo um Guizado, Curumim ou Variant você consegue encher sua casa. o pessoal prefere ir para o Samba do Amici’s, escutar um desfile de músicas inéditas (tá, ironia, eu sei). e são caras que tem muito material disponível na internet, estão constantemente na mídia, aparecem em programas de televisão e tudo mais. acho que o maior público pagante desses shows (e eu fui produtor de dois deles) foi em torno de 180 pessoas. imagina aí que tem pagar passagem, alimentação, traslado, hospedagem e tudo mais? fora cachê!

falo deles agora pra perguntar se o problema são realmente as bandas. ou será que a internet diminuiu a curiosidade e aumentou a preguiça do público? posso dar outro exemplo que eu acho muito curioso? Cidadão Instigado. a banda, quando ainda residente aqui, não tinha 1/4 do público que possui atualmente. precisou ser vista de fora pra ser “entendida” por aqui.

e aí o público realmente ficou desapontado com a qualidade das bandas daqui. putz, não nego isto. mas sei lá, até 2003 nós conseguíamos colocar 300 pessoas no Ritz Café pro lançamento do clipe da 69% Love junto com a DaCapo. será que foram anos assim tão trágicos estes últimos? que hoje em dia parece inacreditável que uma banda autoral cearense coloque o mesmo público em qualquer lugar em Fortaleza sem que a entrada seja 0800?

comenta aí, pessoal, que eu juro que estou buscando uma resposta ainda. pode ser que a discussão já seja um indício de possível mudança. ou não, como diria Caetano 🙂

Os melhores que eu vi esse ano.

March 8, 2010

dos que estão concorrendo ao Oscar, 3 entram nessa lista e vocês podem recorrer ao texto abaixo para ler mais: Bastardos Inglórios, Distrito 9 e Guerra ao Terror.

quanto aos outros, começo pelos filmes nacionais:

à deriva – é o melhor nacional do ano, de longe. que filme. sensibilidade à flor da pele.

a casa de alice – subúrbio paulista, personagens reais e filme consistente. um filme “independente” dos bons.

comédia:

férias frustradas de verão – diversão das boas 🙂 daqueles filmes que deixam um sorriso no rosto. trilha sonora muito bacana. pra assistir num final de sábado à tarde, de preferência meio chuvoso, e depois abrir uma garrafa de vinho e colocar velvet underground pra tocar.

os piratas do rock – o cara que dirigiu Notting Hill e Simplesmente amor fez um filme bacana que declara amor ao rock. é sobre as rádios piratas que tocavam rock no fim dos anos 60 na Inglaterra… bem, o roteiro peca várias vezes pela obviedade, mas o filme passa muito bem se você conseguir vê-lo de alma leve.

500 dias com ela – talvez o melhor do ano. tem tudo lá: estilo, trilha sonora, cenaslegais, roteiro muito bacana e um clima de melancolia sorridente constante. filmaço.

se beber não case – bom, hein. e eu nem acreditava que seria. roteiro bacanérrimo.

terror:

Deixa ele entrar – sei nem se posso chamar de terror. mas que filmaço. sensível, diferente, clima intenso. maravilhoso.

ficção científica:

lunar – o filho do bowie fez um filmaço na tradição de 2001 do kubrick e com cheiro de solaris do tarkovski. bom pra cacete.

menção honrosa:

amantes – o james gray fez um filme sensível e real pra cacete. as atuações do phoenix e da paltrow (sério mesmo) são fantásticas.

a garota ideal – ei, o filme que o cara se apaixona por uma boneca inflável é bom demais. psicologicamente desafiador e ao mesmo tempo leve e bonito. e que atuação do ryan gosling. recomendadíssimo.

sobre o Oscar.

February 20, 2010

como já vi 6 dos 10 filmes que estão concorrendo ao Oscar máximo, senti que já posso me arriscar em falar sobre por aqui.

ok. vamos um por um.

Bastardos Inglórios – um belo tarantino. o melhor desde o pulp fiction. até porque ele resolveu escrever um roteiro dessa vez, ao contrário do que fez com o kill bill. a atuação do nazista lá merece um Oscar de coadjuvante pra ele, fácil, fácil. aliás, até o pitt tá legal neste filme. vale a pena.

UP – altas aventuras – ah, bacaninha. bonito, com história pra chorar, lírico… é por aí. e tem muito mais o que dizer não.

Distrito 9 – o que diabos é que este filme está fazendo no Oscar? ele é o oposto do que a (irritante) Academia gosta. sujo, perspicaz, com sangue jorrando pra todo lado e um roteiro muito bom. filmão de ficção científica, como faz tempo que não se via.

Amor sem escalas – o melhor filme do Reitman até hoje. comedido, bem dirigido, diálogos afiados mas que parecem verdadeiros. e a vera farmiga merece o Oscar de coadjuvante, ó. ela parece gente grande e o clooney parece um adolescente.

Guerra ao terror – cacete, um exercício de cenas fantásticas e de como se manter a tensão em um filme. e o elenco todo tá bem demais. pra mim, a bigelow levaria melhor direção num piscar de olhos. mas é claro que quem vai levar é o cameron.

e por fim:

AVATAR – honestamente, este filme deveria estar concorrendo a algum prêmio de tecnologia, não ao Oscar. como cinema, Avatar é um tanto ruim. roteiro ruim, atuações ruins, uma avalanche de clichês. e aquele general, coronel, seja lá o que for, é um dos piores personagens da história do cinema. só presta mesmo o lance das imagens e da tecnologia. aí, também, é genial. é um filme de beleza impressionante. e que cria um novo padrão, verdade seja dita. mas eu prefiro os smurfs. mas é o que vai levar tudo, podem acreditar.

e eu não tenho preferido. aliás, o dos irmãos coen deve ser o melhor desses. apesar do queime depois de ler ter sido uma decepção. bom, quando eu tiver visto todos eu opino melhor.

In a cabin with.

February 8, 2010

In a cabin with é o nome de um projeto holandês que leva músicos locais para outros lugares para realizarem uma colaboração musical, que é gravada e disponibilizada no site. de graça. querendo, vocês podem deixar uma doação para ajudar na continuidade do projeto.

dito isto, recomendo que vocês entrem no site e se divirtam com os discos de lá. recomendações pessoais vão para o The Black Atlantic, que deverá ser amado por aqueles que gostam de Iron and Wine e coisas bem tranquilas, e o jazz-pop do waiting for eve, os dois projetos que mais me surpreenderam até agora (ainda não escutei todos).

http://www.inacabinwith.com/site/

taí o site. divirtam-se 🙂

river of brakelights.

February 3, 2010

o show de sábado do casablancas foi um tanto peculiar. foi bem divertido, mas pecamos um tanto na execução, o que, diga-se, é bem incomum. acho que estamos meio esgotados… hora de dar  uma parada, eu acho. pelo menos até que o strokes lance um disco novo. e espero que ele seja bom…

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o jeb loy nichols lançou um discaço que esqueci de incluir na lista de melhores de 2009: Strange faith and practice. um james taylor com toques de jazz e clima intimista, bom pra cacete.

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o filho do bowie fez um filmaço, chamado Lunar, que chegou nas locadoras há pouco tempo. me lembrou muito o Solaris.

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adélia prado e hilda hilst, quando se aventuraram no romance com O homem da mão seca e Estar sendo ter sido, fizeram livros com características semelhantes. fica sempre aquele gosto de poesia em prosa, sabe? ainda acho que Adélia conseguiu um resultado melhor. mas lembremo-nos: hilda é talvez a maior poetisa. ever.

Melhores do ano 2009.

January 1, 2010

ano meio fraco, este 2009. tanto pra discos como filmes. mesmo assim, ainda acho válido colocar por aqui o que me impressionou este ano. ou que pelo menos divertiu. começando com minha especialidade, a música. sem ordem de preferência, vou criar algumas categorias aleatórias 🙂

disco unânime bacana do ano – Phoenix (Wolfgang Amadeus Phoenix)

este aqui merece e muito. melhor disco da carreira dos franceses, Wolfgang é a junção perfeita entre a primeira e a segunda fase do Phoenix. pra ouvir de uma ponta à outra, e deixar no repeat por um bom tempo. discão.

disco quem é vivo sempre aparece – Manic Street Preachers (Journal for plague lovers)

quem diria que o MSP ainda tinha bala na agulha pra em 2009 lançar um discão de rock. desde o this is my truth… que eles não lançam um disco tão bacana. curto e grosso, sem muita firula, manda seu recado e diverte sem frescura.

disco panela velha é que faz comida boa – Sonic Youth (The Eternal)

o Sonic Youth nem parou de lançar discos bons. mas este aqui é sacanagem. tem um retorno aos tempos de influência punk e velvetiana misturado com a fase mais melódica dos últimos discos e no final das contas, o resultado: um dos melhores trabalhos da carreira da banda. e isso é muita coisa, mesmo mesmo.

disco nós gosta de jazz porque é cool – Allen Toussaint (The Bright Mississipi)

“The applause will only grow louder with the release of The Bright Mississippi. It’s quite simply one of the best albums we’ll hear in 2009.” (Dusted magazine). concordo plenamente e acrescento: um dos discos de jazz mais agradáveis de se ouvir da minha coleção.

disco se abaixa que lá vem porrada – Baroness (Blue Record)

tenho que concordar com todos os críticos, pense num disco bom… o metal tem poucos heróis atualmente, mas quem tá fazendo o serviço bem feito, tá fazendo muito bem feito. o Baroness escapa dos clichês, enxerta um monte de influência bacana, desce o cacete e faz um discão. menção honrosa aqui pro Crack the Skye do Mastodon, outro belo disco.

disco o que é que tem na água da escócia? – Trashcan Sinatras (In the Music)

tá certo, In the Music não é perfeito como o disco anterior, Weightlifting. mas é bom pra cacete. sobre o disco, vou deixar vocês com um comprador da Amazon que resenhou o seguinte:

“C’mon……Let’s be honest. Bands like the Trashcan Sinatras should be a household name. Their albums should be available in every store, their songs played on every radio station, their back catalogue discovered and rediscovered by music fans of all ages. But no, we are not living in a perfect world. Corporate commercial hype rules the airwaves. They blind us on TV with their booty shaking, mind numbingly repetitive, boring tunes by talentless pawns to the game known as ( ahem ) the Music Industry. Well……listen up folks who don’t want to be sheep ! Here is a beautifully constructed, crafted piece of pure pop magic ( Just like their back catalogue ) that will excite on repeated listenings. Buy it and you might just regain your musical identity ! Thank you the powers that be for the Trashcan Sinatras!”.

escutem, e com urgência.

disco porque tanto barulho mesmo? – Animal Collective (Merriweather Post Pavilion)

bom, a categoria é auto-explicativa. tá, o disco é bom, eu sei, mas será que é pra tanto? sei não… talvez eu venha aqui e corrija a “injustiça” em algum tempo… mas por enquanto, ele ganha esta posição. diga-se de passagem, o último do Flaming Lips também não bateu legal.

disco porque o wilco é a melhor banda do mundo – Wilco (The Album)

outra categoria auto-explicativa. é a melhor do mundo em atividade e pronto. mesmo um disco menor ainda merece estar aqui na lista.

disco de banda que conheci este ano e vocês deviam conhecer também – Dubious Ranger (Uneasy Truce at Watering Hole)

pulem a primeira faixa, Gemini. não que ela seja ruim, mas é muito estranha e pode acabar confundindo tudo. a segunda, French Song, mostra algumas das influências da banda: Television e Bowie. bota aí no pagode mais um toque de Talking Heads e um cheiro de Billy Joel, sacode tudo junto e sai este disco bem bacana que merece ser escutado com atenção e carinho. pra quem tem espírito livre 🙂

I’m so tired.

September 1, 2009

uma terça-feira inspiradora, esta.

acho que qualquer pessoa já passou por uma daquelas fases em que as coisas não dão certo. pois bem.

já estou doutrinado nisto. mas não posso deixar de dizer que é um tremendo saco, viu? ainda mais quando a fase é um tanto duradoura.

mas vai virar, pode esperar.

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escutando no carro o ‘hungry saw’ do Tindersticks. fácil, um dos melhores discos de 2008. e nem tem nada de novo, só uma penca de ótimas canções mesmo.

simplicidade é o caminho.

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rio de janeiro, aí vou eu.

correndo.

the world is full of crashing bores.

June 29, 2009

ok. de volta a este lugar que andava esquecido.

e pensando em fazer uma maior variação temática 🙂

então, vou dar aqui minha primeira dica sobre vinhos. sim, senhoras e senhores, eu não entendo bulhufas sobre o assunto, mas mesmo assim me atrevo a dar dicas.

pois bem. existem vinhos argentinos elaborados a partir da uva torrontés que andam pipocando em nossos supermercados. fica aqui a forte recomendação. mesmo os mais baratos são melhores que os pretensamente pomposos oriundos dos nossos nada-amados hermanos.

o torrontés é branco (obviamente seco, por favor, que vinho suave não é vinho), tem um gosto leve, com forte aroma acentuado de frutas, e é muito agradável para ser consumido em um país tropical como o nosso.

claro, se puderes e o dinheiro permitir, invista um pouco mais e compre os de marca La Linda (preferido da minha luana) ou o Colomé (meu preferido). não é tão caro assim, a garrafa destes gira em torno de 40 e poucos reais.

no mais, deixo a palavra com o grande Ed Motta:
http://veja.abril.com.br/ed_motta/index_050407.shtml

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lamentei a morte de michael jackson. e ver alguns comentários por aí, do tipo “menos um pedófilo no mundo”, me faz lamentar o julgamento exercido pelas pessoas que se deixam influenciar de maneira irrestrita pela mídia estúpida.

não quero aqui absolvê-lo, afinal, não tenho certeza de sua inocência, mas a verdade é que ninguém pode apontar a certeza de sua culpa.

se você considera melhor apontar o dedo sem certeza, bem, você não é dos meus.

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das boas bandas que conheci nos últimos tempos, o power pop californiano do Orange Peels, o encontro do Elliot Smith com Neutral Milk Hotel do Bedroom Walls e o belo alt-country do Swivel Chairs ainda me impressionam. ah, e o Good Shoes é a melhor banda britânica que escutei nos últimos tempos também. bem melhor que uma penca desses que figuram nos semanais tortos. escutem.

ah, e o último do walkmen é uma pérola. You and me tem toques de Dylan misturados com o já conhecido estilo do quinteto. sério, vão atrás. me lembrou o Howl do BRMC.

então, com o walkmen eu vou começar um trabalho de pesquisa intitulado “o que houve com as bandas mais promissoras de 2002 em diante?”.

nós esquecemos a maioria. a grande maioria.