“No sueltes la soga que me ata a tu alma.”

e me olhavas como um reflexo, espelho criando vida. e parecia que ninguém percebia, tamanha a simplicidade do encontro insólito. e, duvidando – mesmo que por um momento – se não era eu que devia me levantar e te cumprimentar por conseguir estar ali, apesar de tudo. cercado de pessoas que amo, quase deixei de lado minha vontade de continuar acordado. não havia muito mais do que o momento de dizer: sim, eu sei, estou aqui, mas na verdade nem posso ir mais longe do que isso. apenas pretendo: ator canastrão de fala pausada. a pretensão não me cai bem, eu sei bem disso.

(cenário 1: no chão: piso de taco, madeira com cheiro de aconchego. parede: livros, de poeira nova, há pouco devolvidos na prateleira já sem cor)

e parece tarde, nem sei se devo. mas, ei, quem sou eu se não equívoco. até feliz, se posso dizer isto, mas um erro, aquele incômodo, aquela areia no estômago que não cede, não corre, não desfaz. tento destruir tudo ao redor, mas fecho a porta em duas voltas. já passa da meia noite. e eu aqui, resto, controle, tudo o que pode ser um pouco mais. e me exigem tanto menos. sabe, é bonito, aquela simplicidade do rir e vir que poucos entendem. nem sequer entendem a ordem ou modo como é colocada.

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